Bronquiolite não escolhe quem vai internar: por que todos os bebês deveriam ter acesso ao Nirsevimabe?


Todos os anos, com a chegada da sazonalidade do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a mesma cena se repete: pronto-socorros lotados, UTIs pediátricas com alta ocupação e milhares de famílias enfrentando a angústia de ver seus bebês internados por bronquiolite.


Embora existam grupos com maior risco de complicações, a realidade é que a maioria das hospitalizações por VSR acontece justamente em bebês saudáveis, nascidos a termo e sem qualquer doença prévia. Esse dado muda completamente a forma como devemos pensar a prevenção. 


Hoje, o Sistema Único de Saúde oferece o nirsevimabe para grupos específicos, como prematuros e crianças com determinadas condições clínicas. Essa é uma conquista importante, mas ainda insuficiente diante da dimensão do problema. 


Se a maioria dos bebês internados é saudável, por que proteger apenas os grupos de risco?


Essa é a principal reflexão.


Quando uma estratégia protege apenas quem já é considerado de alto risco, milhares de bebês saudáveis permanecem vulneráveis. E é justamente entre eles que ocorre a maior parte das internações por bronquiolite causada pelo VSR. 


Além do sofrimento das famílias, cada internação representa:



O mundo já caminha para a proteção universal


Diversos países já adotaram estratégias de imunização ampliadas contra o VSR.


As recomendações internacionais passaram a priorizar a proteção de todos os bebês durante a primeira temporada de circulação do vírus, reservando a segunda temporada para crianças que permanecem em maior risco até os 24 meses. Países como Estados Unidos, Canadá, Espanha, França, Itália e outros vêm ampliando esse acesso por entenderem que prevenir hospitalizações é mais eficiente do que tratar suas consequências.


A proteção vai além da prevenção da bronquiolite


Estudos mostram que o nirsevimabe apresenta alta efetividade na redução de infecções respiratórias graves por VSR, reduzindo hospitalizações e casos graves em mais de 80%, com estudos de vida real demonstrando reduções próximas de 90% nas hospitalizações relacionadas ao vírus.


Isso significa menos sofrimento para as crianças, mais tranquilidade para as famílias e menor pressão sobre hospitais e serviços de emergência durante os períodos de maior circulação do vírus.


E as crianças de até 2 anos?


Embora a maior prioridade seja proteger todos os bebês em sua primeira temporada de VSR, há crianças que continuam vulneráveis durante a segunda temporada, especialmente aquelas com doenças pulmonares crônicas, imunodeficiências, cardiopatias e outras condições clínicas. Para esses casos, o próprio nirsevimabe já possui indicação até os 24 meses de idade. 


Além disso, ampliar gradualmente o acesso para outras crianças pequenas pode ser uma estratégia a ser discutida à medida que novas evidências, análises de custo-efetividade e a capacidade do sistema de saúde evoluam.


Um investimento que protege vidas


A prevenção da bronquiolite não deve ser vista apenas como um custo, mas como um investimento em saúde pública.


Cada internação evitada representa menos sofrimento para uma família, menor pressão sobre o SUS e melhores oportunidades para que crianças iniciem a vida com mais saúde.


O Brasil deu um passo importante ao incorporar o nirsevimabe ao SUS. O próximo desafio é continuar ampliando o acesso, acompanhando as evidências científicas e as experiências internacionais, para que cada vez menos bebês precisem enfrentar uma internação por uma doença que hoje já pode ser prevenida.


07 de julho de 2026 - ASBAG - Associação Brasileira de Asma Grave